O renascer dos congressos

O Congresso Nacional de Medicina Interna ocorreu entre 27 e 30 de Agosto, em formato híbrido (presencial e digital) e isto não seria notícia se não tivesse sido o 1º grande congresso, com cerca de 1.000 participantes presentes, a ser realizado após o início da pandemia.

O congresso decorreu no Altice Forum Braga e cumpriu todas as regras emanadas do decreto-lei 7900-A, de 12 de Agosto, que regulamenta os eventos indoor, dado que a DGS continua sem aprovar o manual de normas proposto pela APECATE (já enviado por três vezes), nem a emanar regras concretas para este setor.

Houve medição da temperatura à entrada, controlo de lotação das salas, higienização das mãos antes de entrar em cada espaço, distanciamento social com circuitos previamente definidos e assinalados, levantamento de credenciais no secretariado de forma a evitar contactos, e até foi implementada uma recomendação de última hora, recebida na véspera por parte das autoridades de saúde que passaram no local, que “obrigou” a identificar os participantes que estiveram sentados em cada mesa durante os almoços de trabalho e o jantar do congresso.

O enorme esforço desenvolvido pela SPMI – Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (que desde já está de parabéns pela coragem de ter sido a primeira organização a confiar e avançar com um congresso presencial) e do PCO que implementou estas mesmas regras só ficará realmente registado se for o ponto de partida para a realização de outros eventos presenciais, demonstrando inequivocamente que é possível retomar a vida em padrões normais, salvaguardando a saúde dos participantes e a segurança de todos.

Aquilo que a APECATE sempre tem defendido e exigido, junto da tutela e publicamente, é que é possível e necessário retomarmos a realização de congressos e de eventos, com normas bem definidas, sem interpretações dúbias ou exigências de última hora provenientes do livre arbítrio de quem procede à sua validação.

A APECATE congratula-se com esta iniciativa, que esperamos venha a ser o “pontapé de saída” necessário para restaurar a confiança dos clientes, e exige das autoridades regras iguais para todos os eventos, sejam eles de origem corporativa, cultural, política, religiosa ou qualquer outra. Não admitimos nem nunca admitiremos exceções nas regras de segurança para nenhum caso específico pelo simples facto de que para o vírus não há exceções.

Termino com uma expressão que não é minha, mas que entendo que cada vez mais se aplica à situação que todos estamos a vivenciar: poderemos ou não morrer de COVID… mas de fome morreremos de certeza!

Vasco Peres de Noronha
Membro da direção da APECATE

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on Set 07, 2020