Painel 1 – Cultura e Turismo – Problemas e Desafios

1. A APECATE deve extrair as devidas consequências das informações e sugestões deixadas pelo Arquitecto José Maria Lobo de Carvalho, Vice-presidente da Associação Portugal Heritage, nomeadamente, ao nível dos constrangimentos estruturais da actividade de turismo-cultural pelo sector empresarial, a saber:

  • Deficiente formação do CET de Turismo Cultural pela sua dissociação com as necessidades dos empresários do sector;
  • Ausência persistente de EAT de Touring Cultural por lacunas na área formativa a nível universitário: formação nas áreas humanísticas continua a ser ministrada de forma totalmente distanciada das prerrogativas empresariais; mentalidade portuguesa ainda desvaloriza a circulação territorial interna como forma de obtenção de conhecimento / oportunidades, sobretudo se essa mobilidade for no sentido do centro para a periferia / interior; ausência de formação de soft skills que permitam dialogar com os diferentes agentes envolvidos na gestão patrimonial; ausência de domínio forte de línguas;
  • Persistência do atavismo do sistema da gestão patrimonial em Portugal: entidades públicas não valorizam, fomentam ou reconhecem pertinências de agentes privados a actuar no meio; Câmaras surgem como entrave ao surgimento de empresas neste contexto pela sua ausência de visão estratégica preferindo, de forma sistemática, oferecer o serviço de organização de um circuito para um grupo turístico do que investir na criação e consolidação de EAT baseadas no território.

Assim como ao nível das soluções possíveis:

  • Entidades públicas com visão devem apoiar / investir na estruturação de produtos e prever, na sua origem, modelos de gestão indutores do surgimento de EAT;
  • Pressão junto das universidades para criar formação estratégica neste domíno;
  • Programas públicos concertados entre DGPC / TP e à correspondente escala regional no sentido de fomentar a criação de EAT de forma estruturada, avaliando, inclusivé, a possibilidade de introdução de uma certificação de produtos de touring cultural à escala regional;
  • Acções de sensibilização junto das Câmaras começando por influenciar o surgimento de formações técnicos-profissionais nesta área nas omnipresentes escolas profissionais das zonas rurais de Portugal.

A APECATE deveria assim definir um plano estratégico para implementar todos ou parte dos pontos aqui elencados, explorando o seu prestígio junto das entidades públicas referidas e contribuindo efectivamente para uma ultrapassagem efectiva destas condicionantes ao desenvolvimento de EAT de turismo-cultural em Portugal.

2. Directamente relacionado com o ponto precedente, a APECATE, pela sua natureza empresarial, deve pugnar pela accountability na área da gestão patrimonial, fundamental para o bom planeamento por parte das entidades públicas no que diz respeito à intervenção e gestão em património cultural – base das actividades das EAT dedicadas ao turismo-cultural. A intervenção da Kareen El-Beyrouty deixou bem claro o quanto este recurso contribui para a economia de um país, pelo que a APECATE deveria encabeçar esta reivindicação em Portugal no domínio do turismo-cultural. Ironicamente, se é certo que o turismo é “a” actividade económica de referência em Portugal neste momento, é igualmente certo que a actividade de turismo-cultural empreendida por empresas é ainda residual nesta contabilização. Quantos mais todos estiverem cientes do potencial económico inerente ao património cultural, mais investidores e empresários surgirão interessados na exploração deste recurso, sendo que a vertente de actividades de animação-turística ou de realização de eventos em património cultural continua por explorar no nosso país.

3. Por fim, a APECATE deve manter sempre contactos próximos com as entidades regionais de turismo (ou equivalente) de cada território por forma a reforçar a importância de integrar as EAT nas estratégias empreendidas, de preferência, ab initio, garantindo assim a sustentabilidade das iniciativas públicas desenhadas, o seu foco no mercado real, o contributo efectivo para a geração de mais actividade económica e social.

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on Mar 01, 2017

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