Painel 1 | Desafios do Crescimento: Qualificar Destinos e Produtos

Esta aposta na sustentabilidade, enquanto causa planetária, e a consciência da responsabilidade do sector turístico na defesa e consolidação dos recursos naturais e patrimoniais, foi unânime ao nível do discurso e das iniciativas apresentadas neste painel: os processos de certificação de dois destinos (Alentejo e Açores) e a apresentação de um projecto de gestão sustentável dos programas turísticos através de uma aplicação mobile – o projeto Sustenturis.

Ficou clara a importância da certificação, da distinção pela qualidade e da integração da população local ou visitante no processo de construção de destino. O debate gerado permitiu cruzar estes olhares públicos e de I&D com os olhares dos empresários que, no terreno, no dia-a-dia, têm uma visão diversa e complementar das necessidades, das dificuldades e das oportunidades apontadas.

Painel 2 | O Mar – Abrir Horizontes, Ordenar, Libertar

O subsector do Turismo das EATs/OMTs é uma área cujo desenvolvimento assenta na criatividade e na inovação. A sua dinâmica exige clareza, simplicidade e facilidade ao nível dos processos administrativos, mas é uma realidade totalmente oposta aquela com que estes empresários têm que lidar: inúmeras entidades com poderes sobre a mesma área territorial, cada uma com as suas regras, exigências, pedidos de parecer, licenças e taxas, más interpretações da lei, alteração de regras sem consulta dos empresários, imposição de regras muitas vezes impossíveis de cumprir, entre outras.

Estes problemas estão colocados há vários anos e, apesar de algumas conquistas, nunca foram cabalmente resolvidos na sua totalidade, o que prejudica o desenvolvimento desta vertente da animação turística e não permite que os empresários canalizem as suas energias para o essencial: a resposta ao desafio que é enfrentar um mercado muito competitivo e em constante evolução.

Perante esta situação, saiu do Congresso a recomendação de criação de uma Comissão para a formulação e resolução de problemas decorrentes da transversalidade da Animação Turística, na qual devem ter assento os empresários, através dos seus representantes, e os diversos organismos da Tutela que intervêm na operação marítimo-turística, da Defesa ao Mar, passando pelo Turismo, o Ambiente, as Finanças e o Trabalho.

Painel 3 | Legislação Laboral e Custos de Contexto

Neste painel foi apresentada a missão da ACT e as suas preocupações fundamentais no que respeita às relações de trabalho, assim como alguns aspectos da legislação laboral considerados mais úteis para as áreas de actividade em questão, como são os contratos de curta duração. Durante o debate estas questões foram aprofundadas, tendo sido questionadas algumas formas jurídicas de contratação que não são legais mas são praticadas, assim como os equívocos a que está sujeita a noção de trabalhador independente, utilizada como legal em alguns casos e considerada ilegal noutros.

O debate foi vivo e motivou um repto da representante da ACT que a Direcção da APECATE aceitou: o estreitamento desta relação institucional tendo como objectivo um acompanhamento mais próximo destes sectores para análise das suas especificidades e busca conjunta de soluções.

Neste painel foi ainda apresentado um estudo encomendado pela CTP, considerado muito interessante, sobre os custos de contexto no sector turístico. A abordagem, feita por comparação com Espanha, versou mais de 20 parâmetros, estando Portugal colocado em pior posição na sua grande maioria, como os aspectos fiscais, peso da burocracia, custos financeiros e, também, rigidez laboral.

Painel 4 | Gestão e Marketing Digital nas Empresas De Animação Turística e de Organização de Eventos

Neste Painel, essencialmente prático, ficou clara a complexidade do marketing digital, com os seus múltiplos canais, cada um com o seu nível de utilização e eficácia, e a importância de as empresas assumirem o desafio de responderem positivamente a esta linguagem do mundo contemporâneo por duas vias: ou incluindo nos seus quadros colaboradores com estas novas competências ou recorrendo à consultoria de empresas especializadas. Foi bem acentuado o objectivo último do marketing que é chegar às pessoas e oferecer-lhes experiências inesquecíveis que criem naturalmente, dentro de cada uma delas, a vontade de partilhar as suas vivências, ou seja, que as transformem numa verdadeira rede de marketing digital.

Do lado da promoção, foi apresentada a plataforma do Turismo de Portugal MeetingsinPortugal que revelou algumas fragilidades que têm vindo a ser corrigidas, nomeadamente a confusão entre organizadores de eventos e outros sectores. Como recomendação foi sugerido que antes de se elaborar qualquer documento, plataforma ou outro meio de promoção, que as associações do sector sejam consultadas.

Painel 5.1 | Turismo de Ar Livre: Exigências da Auto-Regulação na Certificação de Técnicos de Turismo de Ar Livre

O Painel da Animação Turística tinha como objectivo fundamental apresentar a proposta da APECATE de criação de um Certificado de Competência Profissional especialmente concebido para os Técnicos de Turismo de Ar Livre que trabalham nas empresas de animação turística e que, mercê da impossibilidade, até à data, de se candidatarem a um processo de RVCC, estão impedidos de utilizar o título desta qualificação.

Foi preocupação dos proponentes mostrar, por um lado, que este certificado não pretendia substituir o processo do RVCC que, actualmente, estará de novo a ser tomado em consideração pelas respectivas tutelas; e, por outro, que o seu referencial seria, em simultâneo, o perfil de competências da qualificação de Técnico Especialista em Turismo de Ar Livre, definido no Catálogo Nacional das Qualificações, e do Outdoor Animator, definido no âmbito dos programas europeus de que a APECATE fez parte (EQFOA, CLO2 e ELESA).

Como contributo para esta temática, destacam-se as intervenções dos oradores convidados que versaram, um o trabalho realizado nos Açores na área do canyoning, o outro, uma reflexão sobre o que poderia ser a metodologia do processo de operacionalização do RVCC em regime de auto-regulação, assente em parcerias diversas entre entidades nacionais e europeias.

Infelizmente, o tempo não permitiu um debate significativo das questões colocadas à assembleia. A sua importância requer, pois, um debate interno com a urgência possível.

Painel 5.2 | Auto-Regulação no Sector de Eventos e Congressos: Temas, Problemas, Soluções

O primeiro tema tratado foi a importância de uma caracterização fidedigna do sector. O trabalho apresentado, com base na informação disponível através de dados do INE e categorias de CAE foi considerado limitado. Excluindo grande número de empresas que fazem eventos não tendo os CAE tipificados e incluindo muitas empresas da área do espectáculo, a informação obtida não espelha o sector.

Foi abordada a questão do Registo das Empresas de Eventos como uma forma de se conseguir a quantificação pretendida, tendo sido contraposto pelos representantes do governo que este registo não seria possível por esbarrar com directivas da União Europeia.

Neste quadro, foi decidido por todos os participantes:

  • questionar a Senhora Secretária de Estado sobre os motivos para a rejeição do RNEE e qual a forma que poderá ser encontrada para que este projeto avance sem ferir as normas Europeias
  • questionar as Associações Europeias sobre a metodologia que seguem para a obtenção de dados do sector e verificar se tal pode servir de benchmarking
  • apresentar uma proposta ao Governo (SET e TP) sobre um estudo para o sector, a ser desenvolvida entre a APECATE e a Universidade de Aveiro
Painel 6 | Turismo na “MODA” – Olhares Improváveis

O Painel 6 foi uma experiência inovadora deste 7º Congresso: a APECATE decidiu entregar nas mãos de pessoas “out of the box”, leia-se, de fora do sector, uma reflexão sobre os desafios do futuro do Turismo, encarados a partir de testemunhos de pessoas com experiências significativas nas suas áreas profissionais. O resultado foi muito interessante.

Foi considerado que o actual ciclo de expansão turística tem limites físicos, demográficos e políticos e, não obstante a revolução que representou em Portugal, não é isento de efeitos perversos, nomeadamente no centro histórico das maiores cidades. O grande desafio para as próximas décadas será sermos capazes de olhar para as coisas sem ideias feitas e com todas as opções em aberto. A este propósito foi considerada especialmente útil a experiência do sector têxtil, pela necessidade que teve de se reinventar. A resposta dos empresários passou pela aposta na qualidade, na flexibilidade da capacidade de resposta às encomendas e na ida ao encontro de potenciais clientes por esse mundo fora, dando origem ao nascimento de uma nova indústria que não recuperou totalmente os antigos níveis de emprego mas cimentou a nível mundial a reputação de ter dos menores senão o menor tempo de reacção entre a formalização de uma encomenda e o início da sua produção em série.

Concluiu-se deste exemplo que a chave do sucesso está na capacidade de ver para além da próxima esquina e de romper com hábitos adquiridos. A mesma ideia esteve presente no tema das vantagens que tem hoje em dia uma empresa em ser multifacetada e capaz de jogar em diversos tabuleiros e, por maioria de razão, no problema actual que é a comunicação no novo mundo digital em que vivemos. Aqui surgiu a “story telling” como a palavra-chave, ou seja, a capacidade de transmitir uma ideia de forma aliciante, personalizada e com emoção subjacente. Finalmente, falou-se dos novos desafios de gestão, tecnologia e segurança que hoje enfrentam as companhias de aviação face à concorrência low cost e ao aumento do tráfego aéreo.

Em resumo, concluiu-se neste painel que há novos desafios que desaconselham a insistência no “já visto” e pedem uma nova visão sem complexos. Portugal não está saturado pelo fluxo turístico: este está é distribuído de uma forma muito assimétrica pelo território. As novas tecnologias podem ajudar a gerir melhor os fluxos de visitantes nas áreas urbanas mais congestionadas e Portugal, pela sua diversidade de paisagens, património e culturas, pode captar fluxos diversificados de visitantes em múltiplas vertentes.